Veja o que rola na rede PV nacional. Olá, obrigado pela sua mensagem. O seu carinho merece uma resposta:
Eu não estou deixando o PV devido à divergências. Eu adoro uma divergência! Elas estimulam meu raciocínio, desenvolvem a minha empatia e me lembram que é preciso humildade na relação com pessoas (e eu tenho o defeito de esquecer isso, de vez em quando).
O meu afastamento é uma questão de ordem prática. Eu entrei para o PV na expectativa de participar da construção de um mundo sustentável (ecologicamente correto, socialmente justo, financeiramente viável e culturalmente aceito, conforme a cartilha). A entrada da senadora Marina, por tudo o que ela representa, reforçou esse sentimento.
Mas havia um ponto de gerenciamento: a refundação do PV (na prática as mudanças que seriam feitas no estatuto do partido). A principal expectativa era a capacidade de interação ativa dentro do partido, ou seja, o que eu posso fazer para atingir os objetivos. O estatuto foi refeito, e de uma maneira geral ficou muito bom. Porém, manteve uma excrescência: os militantes (eu) não podem votar. Em cidades com mais de 1 milhão de habitantes, os delegados (pessoas escolhidas para participar de uma instância superior de deliberação) são escolhidos pelo Conselho Estadual, que também definem os delegados para a Convenção Nacional. Isso significa que em todas as capitais, é o Conselho Estadual, indicado pelo Conselho Nacional, que toma todas as decisões (todas!). Os municípios com menos de 1 milhão de habitantes somente conseguirão eleger seus delegados se obtiverem pelo menos 1% dos votos válidos na legenda para a câmara federal, o que certamente já foi calculado e é improvável de acontecer. A nível nacional, como as capitais elegem mais delegados, fica garantida a manutenção de todas as pessoas que comandam o partido atualmente. É uma “panela”.
Eles definem o programa, o estatuto, quem entra, quem sai, quem serão os candidatos, as coligações, eles controlam as finanças, enfim, tudo… Neste contexto, o que um pobre coitado como eu pode fazer? Nada!
Não tem nada que eu escreva, nenhum discurso que eu faça, passeata ou seja lá o que for, que interfira no processo. Para o PV, eu não sou ninguém (na verdade, eu sou massa de manobra).
Pior que o meu objetivo era desenvolver um projeto no âmbito das cidades. A primeira coisa que pensava em fazer era justamente organizar o diretório municipal e iniciar um trabalho voltado para a participação popular na administração do orçamento público, em contexto de democracia e construção da cidadania. Ficou impossível fazer isso, claro. Essa atitude das lideranças criou um enorme vazio, no tocante às expectativas que eu tinha. Só me resta uma alternativa: a porta da saída.
Um grande abraço,
Ruiz





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