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Já se planejam árvores artificiais no chamado Primeiro Mundo

September 23rd, 2009 · 1 Comment · Meio Ambiente

   Você pode conferir na RedePV na internet e aqui no blog.  A situação também nos faz resgatar Bertold Brecht, que escreveu: “Chegará um dia em que falar de árvores será um crime”.

   Talvez um dia seja possível encontrar uma árvore bem difícil de escalar, de montar um balanço ou escavar nomes em seu tronco. Ela não terá frutos, nem flores. Nem exploradores de madeira e celulose poderão se valer dela. Em vez disso, o beneficiado será o meio ambiente. Tais árvores serão máquinas que servirão, afinal de contas, ao propósito único de ajudar no combate ao aquecimento global. É o que propõe o último relatório do Institution of Mechanical Engineers (Instituição de Engenheiros Mecânicos) de Londres, Inglaterra. Com conceitos da geoengenharia, ciência que estuda as mudanças do meio ambiente e estuda soluções tecnológicas a elas, o relatório indica que árvores feitas de material absorvente, telhados cobertos de alga e prédios com vidros refletidos podem ajudar a amenizar a quantidade de gás carbônico lançado na atmosfera.
   Entre as três soluções, os engenheiros acreditam que a primeira delas seja a mais viável, por ter baixo custo relativo de produção e poder se popularizar dentro de 20 anos. De acordo com os especialistas do instituto, uma única árvore artificial, com preço estimado em US$ 20 mil (cerca de R$ 37 mil), poderia remover uma tonelada de CO2 por dia, o equivalente à emissão de 20 carros. Em maior escala, 100 mil “árvores”, que ocupariam 100 mil metros quadrados (apenas 0,1 quilômetro quadrado, ou 10 hectares), seriam suficientes para captar todas as emissões de casas, transportes e da indústria leve na Grã-Bretanha.
   Para testar seu funcionamento, um protótipo de árvore de 12 metros de altura foi produzido. Através de um filtro, ele captura CO2 do ar e depois o armazena. “As árvores artificiais estão no estágio de protótipo e o design já está avançado em termos de automação e dos componentes que serão usados”, disse à BBC Tim Fox, principal autor do documento. De acordo com Fox, as árvores podem ser produzidas em massa em pouco tempo. Elas seriam instaladas ao lado de rodovias ou perto de turbinas de ar no mar.
“A árvore artificial é mais eficiente que uma árvore normal. Ela também retira dióxido de carbono do ar para transformá-lo em madeira sólida. Mas enquanto a natureza leva um tempão nesse processo, nós podemos fazer milhares de vezes mais rápido”, explica o diretor da cadeira de engenharia do Instituto, Colin Brown, à agência de notícias Reuters.
   O documento também sugere que novas tecnologias de armazenagem de CO2 continuem sendo desenvolvidas e pede ao governo britânico apoio a um projeto de pesquisa cujo custo varia entre US$ 16,5 milhões e US$ 33 milhões. Daí surge a questão: estaria o contribuinte disposto a pagar por isso? “Todos nós temos que pagar por essas mudanças, mas é preciso encontrar uma forma adequada de calcular impostos que represente uma economia com o nível de gás carbônico mais baixo”, opina Brown.
Experiência americana – Nos Estados Unidos, um grupo de cientistas da Universidade de Columbia, em Nova York, também está trabalhando com o mesmo objetivo. A estrutura do protótipo norte-americano tem galhos semelhantes aos de pinheiros e suas folhas são feitas de um material de plástico que é capaz de absorver o gás quase mil vezes mais rapidamente do que árvores de verdade.
“Enquanto o ar flui pelas folhas, estas folhas absorvem o CO2 e o mantêm preso”, explicou o cientista Klaus Lackner, geofísico do Centro de Engenharia da Terra da Universidade à BBC. Depois de armazenado, o gás carbônico passa por um filtro, que o comprime e o transforma em líquido. E o que fazer com este líquido? Os cientistas defendem que ele pode ser enterrado no subsolo, talvez em antigos poços de petróleo.
“O que vejo em curto prazo é um aparelho do tamanho de um caminhão no qual se podem instalar as folhas numa caixa parecida com o filtro de uma caldeira. Cada máquina teria 30 filtros que juntos mediriam 2,5 metros de altura e um metro de largura”, projeta Lackner. De acordo com ele, cada árvore poderia absorver diariamente uma tonelada, mesma quantidade do protótipo inglês. Se dez milhões delas fossem instaladas, a quantidade absorvida anualmente seria de 3,6 gigatoneladas.
O número parece ser significativo. Entretanto, quando comparado com as 30 gigatoneladas liberadas na atmosfera anualmente, sua proporção fica menos evidente. Diante disso, o pesquisador afirma que, sozinhas, a invenção ou mesmo a geoengenharia não são soluções mágicas suficientes para neutralizar todo CO2 e, portanto, devem ser apenas uma parte de um plano global de combate ao aquecimento da Terra.
(Fonte: Yahoo e Reuters)

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